A volta dos bons esportivos nacionais

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O recente lançamento do Peugeot 208 GT mostra que o mercado brasileiro anda receptivo às versões esportivas e recomeça a escrever uma história que conta com Maverick GT, Charger R/T, Gol GTi e Vectra GSi. A despeito da queda nas vendas de carros novos, as fábricas ainda acreditam no potencial de compra dos jovens e no ganho de imagem que esses carros proporcionam.

Nos anos 2000 os entusiastas de carro sentiram um saudosismo sem precedentes. Os esportivos haviam ficado no passado e as pessoas só falavam de minivans, EcoSport, Crossfox e Corolla automático. Como um vento de esperança, nos últimos anos da década apareceram os “esportivos de adesivo”, modelos que apresentavam aparência extravagante para tentar atrair compradores jovens. Entre os representantes dessa categoria estava Meriva SS.

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A Fiat foi a responsável por manter a categoria aquecida. Desde o Uno Turbo ela mantém um esportivo em linha, seja por uma tentativa meio frustrada como o Palio 1.8R ou por um esporte fino de respeito como o Marea Turbo. Hoje tem a linha Sporting composta por Uno, Palio, Punto e Bravo e T-Jet, por Punto e Bravo. Todas recebem modificações mecânicas favoráveis ao desempenho, mas empolgação mesmo só mesmo nos T-Jets, que são equipados com um 1.4 de 152 cv.

A Volkswagen também tem mérito na história. Produziu Golf GTI e seu “primo rico” Audi A3 1.8T sobre uma plataforma memorável até 2009 — o Audi saiu de linha três anos antes. Mesmo que tivesse visual discreto, ambos eram equipados com um excelente quatro-em-linha 1.8T de 150 ou 180 cv e eram referência em prazer ao dirigir (em 2015 voltaram melhores do que nunca).

A recente cultura de pilotar em autódromos homologados em track-days pode ter motivado o retorno das versões esportivas. Isso porque no ambiente urbano está cada vez mais difícil poder desfrutar dos dotes de um bom carro, parte devido aos limites de velocidade, parte devido ao trânsito congestionado. Infelizmente alguns estados estão perdendo seus autódromos em favor de condomínios residenciais.

Mercado de esportivos nacionais

Atualmente é possível dizer que quem deseja um esportivo nacional pode ter que analisar bastante devido ao número de opções. Não que sejam muitas, mas é bem que do que o país já teve ao mesmo tempo, sem contar os importados “acessíveis” como DS3 e 500 Abarth. Até R$ 50 mil tem apenas Uno Sporting, que peca no desempenho do motor 1.4 de 88 cv e nas rodas de aparência esquisita, mas oferece câmbio automatizado Dualogic Plus com aletas no volante. Embora não seja um esportivo assumido, um Up TSI diverte mais. As opções ficam mais interessantes de fato quando o limite de preço é R$ 60 mil.

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Palio Sporting e Gol Rallye parecem ter perfis distintos, mas ambos têm diferenciações mecânicas e visuais e motores 1.6 de 115~120 cv. O Fiat tem aparência externa e decoração interna que remetem às competições de asfalto, além de sistema de escape que produz ronco encorpado. O Gol segue outra filosofia, a dos aventureiros que podem sair do asfalto. É verdade que o Volkswagen tem suspensão elevada em vez de rebaixada, mas seu conjunto mecânico é melhor de ser utilizado na pista e pode ser mais rápido que o Palio Sporting, como provou Rubens Barrichello no circuito do programa Acelerados.

Dentro dos R$ 60 mil, porém, a melhor opção é sem dúvida o Renault Sandero RS.  Mesmo que seja um carro projetado para países subdesenvolvidos, a versão foi desenvolvida com ajuda dos engenheiros franceses da divisão Renault Sport, o mesmos responsáveis por Clio RS e Mégane RS, dois hatches de respeito. O motor 2.0 16V aspirado é o mesmo do Duster, mas acoplado a uma transmissão de seis marchas bem curta — tão curta que poderá ser um incômodo em viagens. Já publicamos um teste do Sandero RS.

O Punto T-Jet (R$ 75 mil) está no mercado há quase dez anos e compartilha o motor 1.4T de 152 cv com o Bravo T-Jet (R$ 90 mil). Ambos têm comportamento de esportivo dos anos 90: lag de aceleração marcante e dianteira que costuma escapar nas acelerações em curva. O Punto tem visual mais marcante (body kit do Abarth), enquanto o Bravo é discreto, dentro da tradição da Fiat nesse segmento que teve Stilo Abarth, Brava HGT e Tipo Sedicivalvole.

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O mais recente integrante do grupo é o esperado Peugeot 208 GT. Seu lançamento é falado há dois anos, mas por motivos desconhecidos os franceses o postergaram até abril de 2016. O hatch é fabricado no Brasil desde 2013 e o conjunto mecânico é o mesmo do 2008; havia “pouco” a fazer para criar um bom esportivo, ainda menos se for considerada a versão europeia GTi, que cedeu rodas, aerofólio, volante e outros itens. Mas o importante é que ele chegou e superou expectativas (negativamente quanto ao preço). O motor é elástico Prince THP 1.6 Flex de até 173 cv, acoplado a uma transmissão manual de seis marchas. Aceleração 0-100 em 7,6s e velocidade máxima de 220 km/h. Preço: R$ 78 mil.

Acima do 208 GT tem apenas o Golf GTI da sétima geração, que é conhecido por aqui desde quando era importado da Alemanha. Seu preço passa dos R$ 120 mil, mas felizmente há opções que não são declaradas esportivas e ainda assim são capazes de divertir. Trata-se de Golf 1.4 TSI e Jetta 2.0 TSI. O primeiro pode ter câmbio manual ou automático DSG de sete marchas e o sedã é capaz de dar sufoco em carros bem mais potentes devido ao chassi bem acertado e ao câmbio DSG. Também nacional, o Audi A3 2.0 TFSI é quase um Golf GTI sedã.

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