Argo, o redentor da Fiat

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Nos próximos dias a Fiat deve lançar um novo hatch para substituir simultaneamente Palio e Punto e correr atrás do bem-sucedido Chevrolet Onix, atual carro mais vendido do país. O fim do “novo” Palio é uma prova que o carro não foi bem recebido pelo mercado, e sairá de linha após cinco anos sem ao menos ter recebido mudanças estéticas. Com quase dez anos, o Punto caduca diante de hatches mais baratos e modernos. O Bravo deve ficar sem substituto por algum tempo.

O nome do novo carro é Argo e já teve algumas fotos e detalhes revelados pela própria Fiat ou por flagras/fontes privilegiadas. Pelas fotos é possível esperar um compacto de desenho conservador, bem diferente da Toro, o último lançamento da italiana. A Fiat faz questão de salientar que o Argo é um hatch premium e que o projeto começou do zero, ou seja, aproveita pouco daquilo que é conhecido. A meta é tomar clientes de Onix, HB20 e outros compactos do escalão superior como Peugeot 208 e Ford Fiesta.

 

A plataforma é uma variação daquela utilizada no Renegade, que por sua vez faz parte de projeto comum com a General Motors quando as duas empresas eram parceiras. É a mesma plataforma do Tipo vendido na Itália com carrocerias sedã, hatch e perua para concorrer com Golf, Focus e Astra. Em termos de comportamento é possível esperar algo como um Onix mais macio — curiosamente o Chevrolet utiliza plataforma baseada no mesmo projeto.

Em termos de motorização, o 1.0 Firefly de 72 cv equipará apenas a versão Drive para aproveitar a alíquota de IPI menor. A mesma versão Drive terá opção pelo Firefly 1.3 de 101 cv, podendo ser acoplado ao Dualogic Plus (ou GSR, como no Mobi). O motor Etorq 1.8 de 139 cv estará nas versões Precision e HGT (versão esportiva), com câmbio manual de cinco marchas ou automático de seis — igual ao Aisin da Toro e Renegade 1.8.

Esse motor maior deve dar um ótimo desempenho para o Fiat Argo Precision e capacidade para concorrer com o Sandero R.S., oferecendo mais conforto que o Renault. O câmbio automático de verdade põe fim ao rejeitado Dualogic, que permanecerá na versão Drive 1.3 GSR. O Argo não teve dados de consumo padrão Conpet/Inmetro divulgados, mas o Uno com gasolina e os mesmos motores faz 13,1 km/L na cidade e 15,1 km/L na estrada no 1.0 e 12,9 e 14 com o 1.3 MT5. O Argo Precision 1.8 AT6 deve ter consumo bem melhor que o Renegade, cujo registro aponta 9,5 km/L na cidade e 10,9 km/L na estrada.

Equipamentos de série e pacotes de opcionais

Mas o que realmente destaca o Argo são os gadgets. Palio, Punto e Bravo não tinham espaço adequado no painel para central multimídia, item mandatório em qualquer segmento e parcialmente responsável pelo sucesso dos compactos “premium”. Todas as versões sairão de fábrica com sistema Start-Stop, ar-condicionado, vidros dianteiros e travas elétricos, direção com assistência elétrica e computador de bordo com tela de 3,5 polegadas.

A versão Drive 1.0 oferece pacotes de opcionais, sendo um deles o Kit Multimídia composto por tela central de 7″ e comandos de som no volante. Há ainda o Kit Parking, com câmera de ré e sensor, e o Kit Convenience, com retrovisores e vidros traseiros elétricos. Como no Uno Sporting GSR, o controle de estabilidade será item de série a partir do Argo Drive 1.3 GSR.

Central multimídia acoplada ao painel como nos Mercedes é item de série a partir da versão Drive 1.3, que acrescenta ainda volante com comandos de som e sensor de pressão dos pneus. Tanto a versão Precision quanto a HGT poderão ter chave presencial, bancos de couro, ar-condicionado digital, sensores de chuva e crepuscular, airbags laterais

Vale a pena esperar pelo Argo?

Diversas publicações especulam um preço inicial de R$ 45 mil, o que é interessante diante de Onix Joy e LT e também do HB20 Confort. A versão mais cara HGT 1.8 AT6 deve passar dos R$ 70 mil, um pouco distante do Onix LTZ 1.4 AT6 e perto de Ford Fiesta, Citroën C3 e Peugeot 208. Interessante mesmo deve ser a Drive 1.3 e seus pacotes de opcionais.

Tanto o Palio quanto o Grand Siena sofreram com problemas relacionados à qualidade de produção e com o péssimo acabamento. Desde quando começou a desenvolver o Argo a Fiat diz que ele terá qualidade construtiva semelhante a dos carros produzidos em Pernambuco (Toro, Renegade e Compass). Se for verdade isso é ótimo porque os carros são realmente bem construídos e bem acabados.

Na casa dos R$ 58 mil o Argo 1.3 MT5 deve ter central multimídia, vidros elétricos nas quatro portas, rodas de alumínio de 15 polegas, faróis de neblina, sensor de pressão dos pneus, computador de bordo, retrovisores elétricos, entre outros. Contra as versões 1.8 de R$ 70 mil há concorrentes de maior prestígio (208, C3 e Fiesta, além de Honda Fit) ou mais esportivos (Sandero R.S. e 208 GT). Vamos aos pontos de análise:

  • Os mais de 1100 kg devem prejudicar seriamente o desempenho da versão Drive 1.0, que deverá custar um pouco mais que Onix Joy e HB20 Confort.
  • O câmbio automatizado da versão Drive 1.3 GSR é inferior aos automáticos utilizados por Onix 1.4 e HB20 1.6;
  • A versão Precision 1.8 AT6 deve custar mais que Peugeot 208, Citroën C3, Ford Fiesta e Honda Fit, que não têm versões populares e portanto gozam de maior prestígio;

Agora uma visão mais positiva

  • É um projeto novo, ao contrário de todos os outros concorrentes;
  • A versão Drive 1.3 GSR tem de série controle de estabilidade, assistente de partida em rampa e aletas para troca de marcha, indisponíveis nos concorrentes;
  • A versão HGT 1.8 deve ser mais confortável que Sandero R.S., além de ter opção de câmbio automático;
ArgoFiat

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