Financiamento Balão, o Guia

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Como sempre comentamos neste site, há várias formas de se adquirir um carro novo, pode ser à vista, por consórcio, leasing, financiamento padrão ou financiamento com parcela residual, ou financiamento balão. Aparentemente mais vantajoso que as outras formas, esse último método de financiamento funciona como qualquer outro e portanto tem juros, IOF, seguro de vida e outras taxas embutidas. Para as fábricas e concessionárias é muito vantajoso, e para os clientes? É isso que vamos ver agora.

Na imagem abaixo está a simulação da compra de um veículo de R$ 100 mil pelo Compra Certa da Hyundai, que é gerido pela Aymoré Financiamentos do banco Santander. A primeira parcela de 30% pode ser paga em dinheiro ou com um veículo da Hyundai que atenda as condições descritas no final deste post, enquanto o saldo que sobra é dividido em duas partes, uma de 50% do valor total e a outra de 20% para totalizar os 100% do valor do carro. A primeira parte é divida em parcelas mensais (até 36), que são menores que as de um financiamento tradicional porque nelas não está incluso os 20% da parte final, conhecida como parcela final, residual ou balão e que deve ser pago à vista ou com a entrega do carro financiado.

Tanto a entrada quanto a parcela residual são flexíveis, a primeira varia de 30% a 60% e a última de 20% a 40%.

Caso o veículo entregue tenha valor maior que o saldo devedor — que quase sempre terá — a sobra deve ser utilizada para reiniciar o ciclo e servir como entrada de um novo carro. Aí está o propósito maior do financiamento balão, amarrar o cliente à marca. Os clientes que deixam de poupar para pagar a parcela final à vista e sair o ciclo são “obrigados” a entregar à concessionária seu usado desvalorizado e comprar um novo carro da marca. É isso que espera a Audi com seu Audi Pass, quem começa com o A3 pode passar ao A4, A5, Q5…



Além de Audi Pass e Compra Certa HyundaiCiclo Toyota (confira o artigo exclusivo sobre ele), Novo de Novo Citroën, Recompra Garantida Peugeot, Nissan Replay, Sempre Novo Volkswagen e Sign & Go BMW. Basicamente todos funcionam da mesma maneira, com diferenças pontuais. Nas marcas francesas é possível dividir a parcela final em 12 vezes e em qualquer um deles é possível antecipar todo o saldo devedor e ter desconto proporcional de juros, conforme resolução do Banco Central para operações de Crédito Direto ao Consumidor.

A parcela residual pode ser paga com o carro financiado e a sobra ser como entrada de um novo.

Pagamento da parcela balão

Sempre há a opção de pagar um boleto do valor total (parcela residual + juros do período) ou dividir em parcelas caras, mas o que realmente interessa nesse método de financiamento é a entrega do carro que foi financiado para quitar a parcela balão e dar entrada e um novo carro da mesma marca. Claro que as coisas não são bonitas como parece e o veículo deverá atender a diversos critérios de qualidade, entre os quais estão:

  • Menos de 10 mil quilômetros por ano;
  • Todas as revisões feitas em concessionárias;
  • Pintura em bom estado de conservação e original de fábrica;
  • Faróis e lanternas sem trincas ou arranhões aparentes;
  • Pneus de mesma marca, modelo e dimensões do original com no mínimo 3 mm de sulcos;
  • Interior limpo e sem rasgos;
  • Chave reserva, manual do proprietário e outros acessórios presentes;
  • Nenhuma restrição junto ao DETRAN e nenhuma multa.

O cliente do financiamento balão que deseja manter-se no ciclo deverá ir à concessionária que contratou a operação original para registrar sua intenção. A avaliação do veículo usado deve ser feita 30 dias antes do vencimento da parcela balão, caso atenda aos critérios estabelecidos a concessionária pagará até 85% da tabela FIPE. Na prática, se o mercado aceita pagar R$ 70 mil por um carro a concessionária pagará no máximo R$ 59 mil.



Financiamento Balão vale a pena?

As taxas de juros não são melhores que as do financiamento tradicional, há a obrigação de manter-se em apenas uma marca e é demasiadamente grande a desvalorização do usado entregue no pagamento da parcela balão. Quem tem mais de 35% para dar de entrada pode comprar uma cota de consórcio e dar o dinheiro como lance ou contratar um financiamento de curto prazo (no máximo 24 meses). O financiamento balão está longe de ser vantajoso, então antes de fechar negócio na concessionária é importante ter paciência e buscar outras opções.

 

 

  • Va Luck

    Quem leva o ‘balão’ é trouxa do consumidor. Será possível que os ‘autores’ desse financiamento lesa-incauto não se envergonham de perpetrarem esse 171 no consumidor e pretenderem que ainda ele seja fiel à marca ? Depois de todas as exigências para conseguir o ‘prêmio’ de aceitarem o seu usado você ainda será contemplado com a avaliação 15 % menor do valor de mercado …

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