Gama Chevrolet

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Há uma década a Chevrolet do Brasil tinha uma linha completamente defasada, com carros desenvolvidos na metade dos anos 90 ou baseados em projetos daquela época. A situação era semelhante em algumas concorrentes, mas para marca prestigiada nos anos 80/90 como a americana aquilo era decepcionante. Logo após a quase falência da General Motors em 2008 começaram os lançamentos de novos dos projetos, todos eles iniciados antes da crise.

O maior representante desta fase é o Cruze, cujo desenvolvimento teve participação majoritária da GM Coreia. Pela primeira vez desde o Opala um Chevrolet de passeio vendido no Brasil não fora desenvolvido pela Opel. O desligamento da Alemanha prosseguiu com Cobalt, Spin e Onix, projetos brasileiros baseados na plataforma do Sonic, e com a S10, tão asiática quanto a primeira geração — vendida apenas nos Estados Unidos e baseada em projeto japonês.

A Chevrolet do Brasil pode dar-se por satisfeita, mantém Onix e Prisma como os mais vendidos de suas respectivas categorias e não pode reclamar do sucesso de S10 e Cruze Sport6. Os micos da linha são poucos, e nesta primeira análise de gama vamos conhecer.

Onix Joy

Foi pensado para ficar no lugar do Celta enquanto a Chevrolet não lança algo menor. Por fora é o mesmo Onix LS de 2012 e por dentro recebeu simplificações, como controles dos vidros elétricos e iluminação do painel. Mecanicamente é idêntico ao Onix LT 1.0, com câmbio de seis marchas, direção com assistência elétrica e alternador inteligente. Vendido pelas concessionárias por valor abaixo do anunciado no site, vende mais que o Onix “novo” e tem pacote de itens de série interessante, com ar-condicionado (sem filtro), alarme, travas elétricas, vidros dianteiros elétricos e monitor de pressão dos pneus. Não há opcionais instalados na fábrica, mas apenas acessórios de concessionária como central multimídia (não é MyLink) e vidros elétricos nas portas traseiras.



Prisma Joy

Tem o mesmo motor 1.0 de 78 cv com gasolina, mas aliado a um porta-malas de 500 litros. Ficou no lugar do finado Classic e é uma excelente escolha considerando seu preço, espaço interno, modernidade do projeto e o fato de ter mecânica conhecida. Como a versão hatch, vende muito bem por ser barato.

Onix

A renovação feita em 2016 deu um aspecto mais refinado à linha, e o Onix conseguiu aumentar ainda mais sua base de clientes. A versão mais barata é a LT 1.0, quase R$ 5 mil mais cara que a Joy e com lista de itens de série pouco maior. O câmbio automático de seis marchas é opcional de R$ 5.300,00 disponível para o motor 1.4 de 98 cv. O pacote de itens de série é farto, principalmente na versão LTZ. A Activ de R$ 60 mil tem aspecto aventureiro, embora seja idêntico a qualquer outro Onix 1.4. É produzido em Gravataí (RS) e tem como principal concorrente o Hyundai HB20, lançado na mesma época e segundo colocado no ranking de vendas. O que mais se destaca além do preço é o conjunto equilibrado, formado por boa lista de equipamentos (com central multimídia), design moderno e requintado, rodar confortável e mecânica conhecida.

Prisma

Maior beneficiado pela renovação, o Prisma deixou de ter aquela traseira esquisita do Joy, que aliás é o único que mantém motor 1.0. O “novo” está disponível apenas com o mesmo 1.4 do Onix nos acabamentos LT e LTZ. A lista de equipamentos é farta e pode incluir câmbio automático de seis marchas, controlador automático de velocidade, bancos e volante forrados em couro e central multimídia e câmera de ré. O maior concorrente é o HB20S, sendo que a Chevrolet consegue atender a demanda do mercado, ao contrário da Hyundai.

Cobalt

O esquisito sedã tem conforto de rodagem muito acima da média, é realmente mais confortável que a concorrência, atualmente representada por Honda City e futuramente por Volkswagen Virtus. O renovado motor 1.8 SPE/4 Eco é a única opção e pode ser acoplado a um câmbio manual de seis marchas na versão LTZ ou a um automático também de seis, item opcional na LTZ e de série na Elite. A lista de itens de série é farta, mas falta opção por airbags laterais e controle de estabilidade, além de outros itens tecnológicos encontrados em carros mais baratos.

Spin

Impossível um projeto brasileiro superar aquele desenvolvido pela Porsche, a Zafira. O interessado em um carro de sete lugares com menos de R$ 80 mil precisa se contentar com a feiura da Spin, que passou a ser a única opção entre nacionais. Tem conjunto mecânico apropriado, com o mesmo 1.8 do Cobalt e opção por câmbio automático de seis marchas. Está disponível nas versões LS, LT, Advantage, LTZ e Activ, mas apenas estas duas últimas podem transportar sete pessoas. O câmbio automático está disponível apenas para LTZ (opcional de R$ 4 mil) e Activ (de série). É produzida em São Caetano do Sul (SP) na plataforma GSV, a mesma de Onix, Prisma, Cobalt e Tracker.

Cruze Sport6

Líder de um segmento em queda, o Cruze hatch tenta passar a impressão de carro esportivo, embora nesse aspecto esteja bem distante do Golf e também do Focus. Desde a versão LT (R$ 10 mil mais barata que o Golf Highline) é bem recheado de itens de série, e na LTZ supera o Corolla Altis. Com todos os opcionais passa de R$ 117 mil, mas mantém faróis com as antiquadas lâmpadas tradicionais, em vez de LED. Deveria ter calibragem de suspensão e direção melhores, ainda é anestesiado demais. O motor 1.4T só pode ser acoplado a um câmbio automático de seis marchas.

Cruze

O Corolla lidera o segmento de sedãs médios e sozinho vende mais que todos os rivais… somados. O Cruze tenta conquistar pessoas dispostas a comprar o Toyota com um pacote de itens de série bem mais amplo, motor 1.4T de 150 cv mais potente e econômico e preço 10% menor (Cruze LT contra Corolla XEi). O mercado tem recebido bem a segunda geração do Cruze, mas as vendas ainda estão longe de serem boas. Como o hatch, é produzido na Argentina.

Tracker

O motor 1.4T do Cruze deu nova vida ao mexicano, feito sobre a mesma plataforma GSV. O pseudo-SUV ficou bem mais econômico e graças à versão LT ficou também mais acessível. O interior convence no quesito acabamento, mas falta ar-condicionado automático e alguns itens presentes nos concorrentes. Injustificável é a falta de controle de estabilidade e airbags laterais na versão LTZ — ambos colocados nos carros exportados para os Estados Unidos.

Equinox

O degrau entre Tracker e Trailblazer estava grande e o sucesso do Jeep Compass despertou o interesse de trazer do México a nova geração do Equinox, feito sobre a mesma plataforma do Cruze, porém com conjuntos 1.5T AT6 e 2.0T AT9 (somente este último vem ao Brasil, por enquanto). É um carro familiar bastante seguro que por R$ 150 mil parece uma boa alternativa ao Jeep e a outras opções como Honda CR-V. O pacote de itens de série é generoso.

Trailblazer

É um utilitário esportivo clássico, feito sobre chassi e derivado de picape, no caso a S10. Nos moldes dele há poucos, sendo o mais representativo o SW4, que parece ser mais refinado e custa quase R$ 40 mil a mais na versão Diesel. Como o Toyota, o Trailblazer também oferece motor a gasolina, no caso um moderno V6 de 279 cv acoplado ao câmbio automático de seis marchas.

Há apenas uma versão de acabamento disponível, a LTZ que sai de fábrica com tração integral selecionável, seis airbags, sensor de ponto cego, alertas de saída de faixa e de colisão frontal, controle de estabilidade, partida remota, forração interna em couro, rodas aro 18″, MyLink e banco do motorista com ajustes elétricos, além de outros. Falta teto solar, fechamento elétrico da tampa traseira (útil em carros altos como ele) e luzes de xenônio ou LED nos faróis.

Mesmo custando bem menos que SW4, ser bonito, ter capacidade para sete pessoas, ter mecânica de um carro bem aceito (S10) e farta lista de equipamentos, o Trailblazer vende muito menos do que se imagina. É produzido em São José dos Campos (SP) na mesma fábrica da S10.

Montana

A Montana representa uma involução sobre a geração anterior, que era produzida sobre plataforma mais refinada. Essa é herdeira do mal-sucedido Agile, que utilizava plataforma do Celta e fora simplificado em relação ao Corsa C. Atualmente tem apenas duas versões, básica LS de R$ 47 mil e completa Sport de R$ 57 mil, sempre com o mesmo 1.4. Não tem condição de concorrer com Strada e Saveiro, nem como carro de trabalho. É produzida em São José dos Campos e deve permanecer na ativa por um bom tempo, visto que Onix e muito menos Cobalt devem ter versões com caçamba.

S10



Não é boa de rodovia como a Amarok, não é segura como a Ranger, não parece requintada como a Hilux e nem tem projeto novo como a Frontier. E mesmo assim é líder. Como acontece com o Onix, o que faz a S10 encabeçar o segmento é justamente sua consistência. Os motores são bem modernos e econômicos, começando pelo Ecotec 2.5 Flex de 197 cv. O Diesel é um 2.8 de 200 cv e 51 kgfm de torque.

A Chevrolet faz duas versões para trabalho pesado, chassi e cabine simples, sempre com o motor 2.8 TDI de 200 cv, câmbio manual de seis marchas e 4×4. As versões de passeio têm cabine dupla e começam com a LT 2.5 Flex 4×2 AT6 de R$ 108 mil e chegam à High Country 2.8 TDI 4×4 AT6 de R$ 181 mil. Cabine dupla com câmbio manual somente a LT 2.8 TDI, todo o restante da linha cabine dupla usa automático de seis marchas, com opção de 4×4 com reduzida até para o motor Flex.

Se a lista de itens de série começa a ficar interessante na versão LTZ, falta injustificável é a de airbags laterais e de cortina, que a Ford Ranger tem desde a versão intermediária. No mais, é uma picape interessante, bonita e relativamente confortável.

Camaro

CHEVROLET CAMARO 2017

É aquele que faz as pessoas sonharem com um Chevrolet, porque R$ 310 mil (ou R$ 343 mil pelo conversível) não se consegue fácil. Debaixo do capô há um V8 LT1 de 431 cv, acoplado a um câmbio automático de 8 marchas ligado às rodas traseiras. Ao contrário da geração anterior, canadense e feita sobre plataforma australiana, o Camaro de sexta geração vem de Michigan (EUA) e usa plataforma Cadillac, mais leve e refinada que a anterior.

Planos para o futuro

Até 2020 devem chegar nova família de compactos, entre eles os substitutos de Onix, Prisma e Tracker e uma inédita picape do porte da Toro. Não há planos para substituir a S10, cuja geração foi lançada em 2012, e nem mesmo a Montana. É possível que o híbrido Bolt passe a ser vendido no país para ser uma alternativa mais barata ao BMW i3 e também ser um laboratório de testes.

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