Mais Belos: Alfa Romeo 156

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Mesmo que tenha abandonado suas raízes ao deixar de fazer carros tração-traseira, a Alfa Romeo jamais deixou sua obsessão por carrocerias bonitas, sendo 145, 155, 164 e 156 provas reais disso. No começo dos anos noventa sua linha estava disconforme com a nova tendência de formas arredondadas que começavam a aparecer entre franceses e alemães. Um novo ciclo de estilo estava em voga e rapidamente toda a gama ficaria defasada.

Para substituir o 155 que acabara de ser lançado, em 1993 a Alfa encomendou projetos aos estúdios Pininfarina e Italdesign enquanto seu próprio departamento de design trabalhava no mesmo propósito. Chefiado pelo italiano Walter de Silva (que mais tarde assinaria o design do Audi R8), o próprio Centro Stile conseguiu conceber o substituto perfeito, um que assumia o coure na dianteira como nenhum outro, resgatava detalhes clássicos e tinha um pouco mais de competência para disputar com o Big Three Premium German Brands, tarefa difícil para sedã feito sob a tutela da Fiat.

Em uma época de projetos excessivamente funcionais ou futuristas, o 156 apareceu como uma brisa para os entusiastas de carros clássicos. Na lateral, apenas duas janelas e um vinco que começava no farol, desaparecia e reaparecia sobre a porta traseira até terminar na lanterna, uma alusão aos antecessores e um propósito claro de parecer cupê, fato reforçado pela silhueta de caimento suave e pela maçaneta traseira embutida. Maçaneta da porta dianteira em forma de flecha de prata e rodas com motivos circulares davam toques saudosistas.

Linhas que começava nos retrovisores davam ênfase ao coure entalhado no para-choque, e os faróis postos de maneira a dar aspecto mau humorado, uma clara inspiração no Giulia. A traseira curta e truncada com lanternas horizontais e placa de licença no para-choque era novidade inspirada no conceito Nuvolari. Detalhes atípicos em projetos contemporâneos estavam nos cantos arredondados do vigia traseiro e na presença de vincos suaves em alguns pontos, algo que seria tendência no começo da década seguinte. Uma versão SW foi providenciada para provar que a Alfa Romeo também sabia fazer carros familiares.

Lançado no Salão de Frankfurt de 1997, o 156 teve como concorrentes iniciais Volkswagen Passat B5, Ford Mondeo MkII, Opel Vectra B, Renault Laguna, Citroën Xantia, Mercedes Classic C W202, BMW Série 3 E36 e Audi A4 B5. Nenhum conseguia ter o mesmo padrão de beleza ou sequer o mesmo nível de personalidade — os franceses chegavam perto nesse último aspecto. E mesmo que tivesse uma reputação bastante ruim como carro de uso diário, a Alfa Romeo conseguiu atrair clientes que desejavam um sedã de veia entusiasta.

Mais de 680 mil unidades das duas carrocerias foram produzidas, número superior ao do antecessor 155 e até mesmo que do 147, hatch mais barato. O sucessor 159 foi uma caricatura que usava plataforma e motor General Motors. Somente a reinterpretação do Giulia conseguiu trazer atenção do mundo aos sedãs da Alfa Romeo. E embora a seção Mais Belos trate apenas do exterior, o 156 encantava ainda com um painel elegante e um motor V6 Busso vocal e vistoso.

 

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