Mais Belos: Peugeot 206

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Os italianos têm a fama de serem os melhores designers do mundo, e disso ninguém tem dúvida. É preciso considerar, contudo, que os franceses também honram a tradição nas artes e têm no currículo diversos carros bonitos. E o primeiro a abrir a série é nada mais que o Peugeot 206, um hatch popular lançado na Europa em 1999.

Por mais que pareça um equívoco eleger entre beldades um francesinho que vendeu quase 8 milhões de unidades, é bem verdade que o Peugeot é bonito mesmo. Obra de Gérard Welter, funcionário de carreira da PSA e chefe de design da Peugeot, em termos de originalidade superou os irmãos 306 e 406 Coupé, ambos da Pininfarina. Welter propôs um desenho muito bem elaborado que alia praticidade de um compacto de uso diário e esportividade típica dos Peugeots.

O 206 pertence a um ciclo de estilo em que as linhas curvas são marcantes e estão presentes como recurso estilístico e não como tema central, a exemplo do que ocorreu em Opel Corsa B e outros contemporâneos da primeira metade da década de 90. Desde o 304 os Peugeots adotaram caráter felino, em consonância com o leão que ostentam no logotipo e com a personalidade esportiva dos modelos. Assim, faróis são inclinados para o centro com propósito de lembrar o semblante de um leão ao ataque.

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No 206 essa característica é bem marcante, porém não parece apelativa como em outros modelos — é atenuada pela “sorridente” tomada de ar inferior. Tal tomada é transpassada por um para-choque proeminente que remete às peças antigas que não eram integradas à carroceria. O curto capô tem dois traços longitudinais de caráter e uma tomada de ar do lado esquerdo. O leão destaca-se entre os faróis e sobre uma discreta entrada de ar.

Welter criou várias faces que captam luz e revelam as formas da carroceria. Essas faces estão nos quatro cantos dos para-choques que juntam-se pelas saias laterais, no quadril (porção entre porta dianteira e para-choques traseiro e acima da caixa de roda), nas pequenas maçanetas em formato de concha e nos para-lamas dianteiros que “preparam” os locais dos retrovisores.

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Pouco usuais em hatches, as lanternas horizontais amendoadas invadem a abertura do porta-malas e as laterais. Detalhe comum a Renaults e Citroëns, são completamente vermelhas — luzes de pisca e ré ascendem em suas cores habituais. O vigia traseiro parece incrustado na tampa, que tem espaço reservado à placa de licença em formato que proporciona aspecto simpático à porção traseira. O para-choque dali tem o mesmo estilo do dianteiro, com a parte proeminente sem pintura. Abaixo, uma luz de neblina central ladeada por traços. A ponteira do escapamento tem local reservado.

A vista lateral é a que mais reforça a personalidade esportiva do 206. A silhueta revela uma traseira quase de cupê-hatch (como no Volkswagen Scirocco). A linha de abertura das portas sem cantos vivos passam longe das caixas de roda traseira (na carroceria de cinco portas) e a coluna C em formato triangular que transmite sensação de solidez. A versão RC (GTi na Inglaterra) foi a mais beneficiada pelo viés esportivo do projeto e precisou não mais que rodas maiores e aerofólio para compor aparência capaz rivalizar outros hot-hatches europeus. O 206 teve várias opções de rodas e calotas, mas mais adequadas ao desenho do carro são as rodas Bohème da versão Soleil (no Brasil).

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Como costume em projetos originais, a Peugeot evitou fazer modificações amplas no 206 ao longo de quase uma década, que no mundo dos carros representa praticamente dois ciclos de vida. A Peugeot do Brasil enxertou a dianteira do 207 para dar sobrevida ao produto, mas o resultado final é questionável. Hoje o pequeno hatch francês continua bonito, principalmente diante de projetos recentes que já parecem manjados pelo uso exagerado de vincos ou peças desproporcionais.

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A seção Mais Belos elenca os mais belos carros da história, segundo o editor-chefe deste site. O diretório principal relaciona os carros que têm ou terão artigos publicados.

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