Populares automáticos por até R$ 60 mil

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A preferência do brasileiro por câmbio automático aumentou muito nos últimos anos, embalada pelos congestionamentos das grandes cidades, pela evolução das transmissões e também pela redução do preço dos carros que podem ter o equipamento. Há dez anos, para se ter um compacto automático era preciso pagar R$ 35 mil (R$ 64 mil em dinheiro de hoje, atualizado pelo IPCA) por um raro e básico Chevrolet Classic Spirit 1.6 ou R$ 43 mil (R$ 78 mil) por um Kia Picanto.

Atualmente é possível livrar-se de passar as marchas pagando R$ 44.800 pelo Fiat Mobi GSR, que usa o conhecido automatizado Dualogic Plus rebatizado. O problema de todo câmbio automatizado, porém, é a menor robustez aliada ao preço próximo ao dos automáticos convencionais ou de variação contínua (CVT): a Fiat cobra R$ 4.300 pelo Dualogic do Uno Sporting, enquanto R$ 5 mil é o preço do CVT do March e do AT4 do Etios.

Estabelecemos um limite de R$ 60 mil antes de elaborar essa lista de compactos automáticos por considerarmos um valor não muito distante dos R$ 42 mil pedidos por compactos básicos. Pesquisamos a lista de opcionais de cada versão abaixo do limite e a diferença de consumo em relação à versão com câmbio manual (MT), seguindo dados publicados pelo Inmetro.



Toyota Etios X 1.3 (R$ 50.590)

 

É a opção mais barata para aqueles que querem um automático de verdade. O câmbio é o mesmo de quatro marchas utilizado no Corolla até 2013. O pacote de itens de série da versão X inclui direção com assistência elétrica, ar-condicionado, vidros elétricos nas quatro portas, Isofix, maçanetas internas cromadas, para-sol com espelho cortesia para motorista e passageiro (este item curiosamente indisponível no Corolla GLi). O motor é o valente 1.3 de 88 cv.

O motor 1.5 de 107 cv equipa a versão XS, que acrescenta break-light (!), retrovisores com ajuste elétrico, console central com porta-copos, apoio de braço para motorista, abertura elétrica do porta-malas, alarme e rádio MP3/Bluetooth. A versão Ready (R$ 59.840) acrescenta abertura interna do tanque de combustível, controle automático de velocidade e central multimídia com GPS, TV e DVD. O sedã custa R$ 55.590 na versão X 1.5 e R$ 58.890 na XS 1.5 e é curiosamente mais econômico que o hatch.

  • Dados de consumo do Toyota Etios hatch 1.3 AT4 (km/L com gasolina): 11,8 em ciclo urbano e 13,3 em rodoviário. A versão MT6 é mais econômica na cidade (12,6) e na rodovia (14,2);
  • Dados de consumo do Toyota Etios hatch 1.5 AT4 (km/L com gasolina): 11,9 em ciclo urbano e 13,2 em rodoviário. A versão MT6 é mais econômica na cidade (12,4) e na rodovia (14,1);
  • Dados de consumo do Toyota Etios sedã 1.5 AT4 (km/L com gasolina): 12,2 em ciclo urbano e 14,9 em rodoviário. A versão MT6 é mais econômica na cidade (12,5) e na rodovia (15,0), mas a diferença é desprezível.

Kia Picanto (R$ 51.990)

O primo do HB20 é oferecido pela Kia por R$ 51.990 na versão mais completa, com câmbio automático de quatro marchas. O motor é o mesmo 1.0 Flex de 77 cv do Hyundai e a lista de itens de série inclui direção com assistência elétrica, ar-condicionado, volante revestido em couro com controles do som, alarme e chave canivete, vidros elétricos nas quatro portas e retrovisores com piscas, ajuste e rebatimento elétricos. O problema é que os exemplares desse preço são 2016/2017 e a chegada da nova geração acontecerá em breve.

  • Dados de consumo do Kia Picanto 1.0 AT4 (km/L com gasolina): 10,6 em ciclo urbano e 12,1 em rodoviário. A versão MT5 é mais econômica na cidade (11,7) e na rodovia (14,3).

Nissan March SV CVT (R$ 55.790)

O pequeno March é apenas R$ 100 mais barato que o Onix, mas será que é tão interessante quanto o Chevrolet? A versão SV sai de fábrica com direção elétrica, ar-condicionado, computador de bordo, vidros elétricos nas quatro portas, alarme, retrovisores com ajuste elétrico, faróis de neblina, rodas de alumínio de 15 polegadas e comandos de som no volante. A versão SL (R$ 59.990) acrescenta central multimídia, ar-condicionado digital, rodas de 16 polegadas e maçanetas cromadas. O motor é sempre o esperto e econômico 1.6 de 111 cv acoplado ao câmbio CVT. O Nissan Versa SV oferece o mesmo conjunto por R$ 59.990, com distinção nos bancos aveludados.

  • Dados de consumo do Nissan March 1.6 CVT (km/L com gasolina): 11,7 em ciclo urbano e 14,5 em rodoviário. A versão MT5 é mais econômica na cidade (12,6) mas bebe um pouco mais na rodovia (14,4);
  • Dados de consumo do Nissan Versa 1.6 CVT (km/L com gasolina): 11,6 em ciclo urbano e 14,1 em rodoviário. A versão MT5 é mais econômica na cidade (12,6) e na rodovia (14,4).

Onix LT 1.4 (55.890)

A tradição da Chevrolet com populares automáticos começou timidamente com o Chevette e foi mantida pelo sucessor, o Corsa. A empresa até apostou nos automatizados com Agile e Meriva, mas felizmente desistiu e lançou o Onix com um automático de seis marchas, semelhante ao do Cruze. Nele, mudanças manuais devem ser feitas em pequenos botões na alavanca. O motor é sempre o 1.4 de 98 cv.

Tanto o Onix LT quanto o Prisma LT (R$ 60.190) saem equipados de série com direção elétrica, ar-condicionado (sem filtro), alarme, monitoramento de pressão dos pneus, abertura do porta-malas à distância, sensor de estacionamento traseiro, rádio com MP3/Bluetooth, volante revestido em couro com controle do som e do controle automático de velocidade, MyLink II e OnStar. O Onix LTZ (R$ 60.950) acrescenta faróis de neblina, DRL de LED, rodas de alumínio, computador de bordo, sistema de navegação, vidros elétricos nas portas traseiras e detalhes internos cromados.

  • Dados de consumo do Onix 1.4 AT6 (km/L com gasolina): 11,7 em ciclo urbano e 13,9 em rodoviário, menores que 12,5 e 14,9 da versão MT6;
  • Dados de consumo do Prisma 1.4 AT6 (km/L com gasolina): 11,9 em ciclo urbano e 14,7 em rodoviário, menores que 12,9 e 15,4 da versão MT6.

Hyundai HB20 Confort Plus (R$ 56.880)

O anti-Onix tem o motor mais potente da categoria, 1.6 de 122 cv, acoplado a um câmbio de seis marchas. Entre os itens de série há direção hidráulica, ar-condicionado, alarme com chave canivete, computador de bordo, Isofix, retrovisores com piscas e ajuste elétrico, rádio com MP3/Bluetooth e vidros elétricos nas quatro portas. A versão Confort Plus BlueMedia (R$ 59.850) acrescenta central multimídia com CarPlay/Android Auto, lanternas diferenciadas e volante com regulagem de altura e profundidade. O sedã HB20S AT6 custa R$ 61.115 na versão Confort Plus.

  • Dados de consumo do Hyundai HB20 1.6 AT6 (km/L com gasolina): 9,9 em ciclo urbano e 12,5 em rodoviário, menores que 11,6 e 13,8 da versão MT6.

Citroën C3 Tendance (R$ 60.090)

O C3 Tendance é um compacto refinado — não tanto quanto o 208 Griffe — que conquista quem procura distinção. O maior problema é o antiquado câmbio de quatro marchas, que prejudica seriamente o consumo rodoviário. Entre os itens de série estão direção elétrica, aletas para trocas de marcha no volante, para-brisa Zenith (ocupa parte do teto), DRL de LED, computador de bordo, rodas de alumínio, sensor de estacionamento e rádio com MP3/Bluetooth. O motor 1.6 de 115 cv está longe de ser econômico como o 1.2 Puretech (16,6 km/L na rodovia), mas seria melhor se estivesse acoplado a um AT6.

  • Dados de consumo do Citroën C3 1.6 AT4 (km/L com gasolina): 11 no ciclo urbano e 12,6 no rodoviário. A versão MT5 bebe um pouco menos na cidade (11,8), mas é bem mais econômica na estrada (14,6).

As escolhas

Por um pouco mais que o limite estabelecido nesta lista é possível partir para outras opções como o Honda Fit DX de R$ 63 mil e escassa lista de equipamentos. O Peugeot 208 Griffe de R$ 69 mil é mais completo que o Corolla GLi de R$ 91 mil, mas usa o mesmo AT4 do Citroën C3 e bebe mais que o sedã médio. Ford, Renault e Volkswagen automáticos mais baratos passam dos R$ 80 mil. Ao mudar de geração o Renault Sandero trocou o automático AL4 pelo automatizado Easy’R.

De nossa lista a opção mais racional é o Toyota Etios, que embora tenha apenas quatro marchas tem preço baixo, alguns itens de série e motores eficientes, de boa potência e baixo consumo. A desvantagem é a mesma de sempre: o aspecto de carro indiano de baixo custo. Aí o Nissan March aparece em seguida, com um enérgico e frugal motor 1.6 de 111 cv aliado a um CVT que permite bons 14,5 km/L em rodovia — na prática esse número é melhor, como ocorre em todos os casos.

Por R$ 69 mil 208 Griffe tem seis airbags, teto solar panorâmico, ar-condicionado digital de duas zonas, controlador automático de velocidade e central multimídia.

O Chevrolet Onix LT fica próximo em termos de consumo e tem uma vantajosa lista de itens de série. É mais espaçoso que March e Etios e tem design mais tradicional, que agrada a maioria. O motor 1.4 não tem a mesma potência do 1.6 do HB20, mas é satisfatório. O Hyundai é o mais beberrão, sendo ligeiramente melhor que o Picanto na rodovia. O 1.6 destaca-se pelos 122 cv.

Entre os sedãs o melhor consumo é do Etios (14,9), seguido de perto pelo Prisma (14,7). Fica evidente que com um câmbio de seis marchas o Toyota seria ainda melhor e que o motor da Chevrolet está tão ou mais eficiente que os demais de projeto recente. O C3 pertence a um segmento superior, formado por Peugeot 208 e Ford Fiesta, mas peca pelo alto consumo. No fim das contas, o Onix parece a melhor opção por oferecer conjunto equilibrado entre design, espaço, conforto, desempenho e consumo — este último parece otimista demais para um motor de projeto tão antigo.

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