Sandero R.S. & Golf MSI: Amor & Ódio?

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Existem circunstancias e acasos benéficos em nossas vidas que não podemos deixar de degustar com imenso prazer; o entendimento popular chama isso de montar o cavalo encilhado… aproveitar a chance, receber bem a visita da musa entre outros que tais. Essas condições, esse suave bafejar da sorte podem ter os mais variados graus de intensidade dependendo apenas do quanto isso é importante para o agraciado. Pode ser encontrar um selo raro para o filatelista, aquela promoção na loja que fará chegar aos teus braços — finalmente — aquela tremenda guitarra clássica para emular a pose de um Jimmy Page (talento já é outro departamento), pode ser o perdão de uma dívida para o ávaro… tudo depende de suas paixões e prioridades, o que é importante para ti, pode ser uma coisa tola e insossa para o aguado do teu cunhado — e quase sempre o é…

Para o cabra que é um jornalista frustrado de carros, que nunca teve a oportunidade, campo ou formação para desenvolver suas atividades em tal campo, as vezes a boa sorte sorri quando é possível dirigir e sentir profundamente as sensações e respostas de dois carros que estão em campos opostos de afeição no coração dos que idolatram o ídolo de metal, plástico e borracha. Tudo isso no mesmo dia, com a mente ainda fervilhando pela experiência anterior, e engatilhada para assimilar as novas informações do aparentemente nemêsis automotivo do primeiro carro.

Não são carros diretamente concorrentes em praticamente quesito algum, mas ambos são catalisadores da opinião dos que gostam de carros, ambos — mas separadamente — convergem em si as mais sinceras declarações de amor (sim, de amor!), de entusiasmo, de surpresa e de desejo irreprimível de compra — ao mesmo tempo, existe uma corrente perfeitamente oposta que não hesita em levantar forcas e tochas acesas, corda e paredão, tecendo os comentários mais terríveis e hostis, baseados apenas em números frios e na sombra de carros sabidamente melhores. Um é amado e considerado a salvação dos esportivos de verdade relativamente baratos (já os tivemos?) do Brasil; o outro é o próprio quasímodo escondido nas torres de Notre Dame, nem de noite ele poderia abandonar o refúgio e segurança do lar, a sigla escarlate destacada na tampa do porta malas é a própria marca do cramulhão, é a estrela de Davi costurada nos ombros para os nazistas de outrora, é a marca da vergonha…

Sandero R.S e Golf MSI, dois opostos, campeões de opiniões, parece que não existe parcimônia ou meio termo sobre esses dois. É Yin e Yan, é a luz e a escuridão… mas será que é isso mesmo? Será que não existem pátinas escondidas na dualidade fria e definitiva do julgamento público? É isso que vou tentar decifrar, investigar, dividir — meu crivo pessoal não é o de vocês, mas também sou um de vós, outro apaixonado por carros, e que novamente se julga sortudo por ter conhecido mais intimamente esses dois carros que nada têm de muito extraordinário perante os outros, além do fato incomum e invulgar de suscitar tantas opiniões apaixonadas.

Vamos a eles?

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  • Leonardo

    É mais ou menos o q eu imaginava sobre o Golf, não deixou de ser um bom carro, só está caro demais. Belo texto, parabéns pela avaliação

    • TwinSpark

      ZF ou mesmo Aisin bem ajustadas me satisfazem, então posso viver sem DSG. Quanto ao Sandero, me incomoda a 6ª marcha extremamente curta.

      • Leonardo

        Exato, prejudica a convivência em viagens, acho que poderiam ter colocado uma 6ª marcha overdrive. O povo xinga demais sem nem experimentar. É óbvio que o desempenho do DSG é melhor, mas isso não faz do resto um lixo

      • Fórmula Finesse

        É curtinha mesmo para viagens!

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