Toyota Corolla XEi 2.0 AT4 2013

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O New Civic de 2006 realçou o perfil conservador do Corolla, um sedã familiar feito para ser confortável e multiuso, bem adequado à classe média brasileira. Destacado pelo design inovador e pelo comportamento esportivo, o Honda acabou atraindo atenção de jovens que só começariam a pensar em sedãs depois dos 35 anos. Percebendo que o Corolla estava com a imagem careta demais, a Toyota tratou de dar nova personalidade ao Vovorolla — apelido dado pelos críticos dele — em sua décima geração. E foi essa a testada por nós no Quick Drive.

Num percurso de 50 km em diversos tipos de pavimento a bordo de uma unidade XEi 2.0 ano 2013 constatamos que sim, o Corolla deixou o jeito de “barca” da geração anterior, mas que tal mudança está longe de ter sido boa, como será explicado a seguir.



Partindo da mesma plataforma a Toyota concebeu um novo carro. Por fora a carroceria ganhou proeminências, ombros mais salientes e mais largura sem deixar de parecer uma evolução da anterior, que era bem elegante. Rodas maiores de 16 polegadas tornaram-se padrão e deixaram o assoalho mais longe de lombadas. Por dentro, melhorias no acabamento, inclusão de porta-objetos e mais alguns milímetros de espaço para a cabeça de quem vai no banco traseiro.

O motor 2.0 para as versões XEi e SEG chegou em 2010 e um novo 1.8 baseado no mesmo projeto chegou no ano seguinte para as versões XLi e GLi. Com potência e torque bem próximos, o 1.8 acabou minando as vantagens do recém-lançado 2.0, principalmente quando comparado com 1.8 manual de seis marchas — o 2.0 ficou apenas com o AT4.

Crise de identidade

Na fútil tentativa de atrair interessados pelo Civic a Toyota realizou mudanças na personalidade do Corolla a partir de 2008, quando ele recebeu volante de menor diâmetro conectado a uma caixa de direção mais rápida e nova calibragem de suspensão. A carroceria passou a inclinar menos nas curvas e a traseira deixou de arriar com três no banco traseiro, mas também ficou desconfortável como um… Civic. O antigo rodar suave e estável foi substituído por pancadas secas e sacolejos em obstáculos diagonais, como ocorre em carros de perfil esportivo.

O volante menor parece rápido demais para um pacato sedã familiar, seria desejável um de maior diâmetro para maior precisão do giro. As aletas que comandam as quatro marchas do câmbio automático são úteis, especialmente em trajetos que exijam freio motor constantemente, como estradas rurais. Nelas o Corolla sobressai com suspensão elevada e bons ângulos de entrada e transposição — donos de C4 Pallas sabem o quanto isso é desejável —, embora a citada calibragem de molas e amortecedores causem inesperado desconforto.

Apesar de tentar ser um Civic, o Corolla mantém carroceria de formas conservadoras e interior claro, bastante agradável aos olhos por transmitir sensação de espaço e certo refinamento. A posição de dirigir não é das melhores, não apenas pelo volante enviesado à esquerda e pelo pedal de freio inadequado ao pé esquerdo, mas também pela distância entre pedais e volante. Quanto ao acabamento, os plásticos são bem encaixados com frestas padronizadas, com resultado final dentro esperado para o preço.



Motor na medida, falta câmbio

O motor 2.0 tem boa potência, mas considerando o pouco ganho de desempenho sobre o 1.8 do GLi ele deveria ter menos sede por gasolina. O que o atrapalha mesmo é o câmbio automático de apenas quatro marchas. O controle das marchas é muito bom e no uso moderado raramente há trocas desnecessárias. No entanto, em ultrapassagens que exigem apenas uma terceira marcha forte é preciso ter paciência para esperar o carro embalar ou pisar no acelerador até o batente para forçar o engate da segunda e fazer o motor urrar.

Conforto de Civic

E isso não é elogio. O Civic é um ótimo sedã, mas sua suspensão é típica de Hondas, desconfortável. O Corolla é um carro multiuso pacato e não deveria tentar ser um esportivo. Os amortecedores são duros e impedem a absorção de pequenos impactos, enquanto a barra estabilizadora faz com que passageiros sejam jogados de um lado para o outro em estradas rurais.

No mais, é um carro bastante agradável, com portas facílimas de fechar, assentos bem conformados e espaço relativamente bom. Porta-malas é suficiente, o ar-condicionado supera em silêncio o calor tropical e não falta porta-objetos. Habituados a carros alemães e Hondas devem se incomodar com a posição de dirigir, mas isso é facilmente tolerável diante de tantas qualidades, principalmente no quesito robustez.

A geração seguinte ficou mais confortável e adotou câmbio CVT, mas no caso da versão XEi deixou de oferecer conveniências como interior claro, retrovisores com rebatimento elétrico, porta-óculos e luzes nos para-sol. Considerando todo o conjunto, o essa versão do Corolla é muito interessante e não merece o título de “carro de velho” que tem, embora pudesse ser mais confortável do que parece.

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