Usado da vez: Chevrolet Corsa 1.4

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O Corsa de segunda geração não arranca suspiros e nem esbanja desempenho ou conforto, mas é honesto e dificilmente se encontra algo de sua idade pelo mesmo preço e com desempenho, conforto ou custo de manutenção semelhantes. É uma boa escolha àquelas pessoas que buscam um carro novo barato de manter que não seja básico como um Celta ou ruim de oneroso como um Peugeot 207.

O Corsa de segunda geração foi lançado no ano de 2002 como modelo 2003 nas carrocerias hatch de cinco portas e sedã. Na parte dianteira lembram o Astra; na traseira o hatch usa lanternas elevadas como o Ford Fiesta de mesma época e essa porção do sedã foi inspirada no esportivo Tigra — a Chevrolet usou mesma inspiração na lateral do Celta. A família era composta ainda por Meriva e Montana.

O motor 1.4 Econoflex é a unica motorização interessante. Há outras duas opções: 1.0, pouco para o porte, e 1.8, que apresenta elevando consumo de combustível. O 1.4 faz parte da mesma família dos demais e é utilizado com poucas modificações em vários carros da marca, desde Celta até Cobalt. No Corsa rende 99 cavalos quando abastecido com gasolina e 105 com etanol; consome quase igual o 1.0 e anda perto do 1.8.

O lançamento do Econoflex foi em 2007, quando o Corsa recebeu algumas mudanças na aparência. O para-choque dianteiro passou a ser o da Montana Sport e o padrão do revestimento interno foi trocado. As versões passaram a ser, em ordem crescente de equipamentos, Joy (1.0), Maxx (1.0 e 1.4), Premium (1.4 e 1.8) e SS (1.8, restrita ao hatch).

O que há de bom

O Corsa tem como principais concorrentes no mercado de usados os irmãos Classic e Prisma, que utilizam motor da mesma família. Pelos R$ 24 mil pedidos por um Corsa Maxx 1.4 2011/2012 é possível comprar um Classic mais novo ou um Prisma do mesmo ano, que é sedã e para muitos tem mais valor agregado.

No entanto, o Corsa é superior aos dois em vários aspectos. Primeiro porque a suspensão dele é mais aprimorada para o conforto e filtra bem melhor os pequenos impactos graças à presença de subchassi na dianteira, inexistente nos demais. O sistema de freio com discos ventilados na dianteira, a boa estabilidade em reta e curvas e a carroceria mais resistente em acidentes complementam a superioridade em segurança.

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Na estrada o Corsa apresenta bom conforto de rodagem e ambiente relativamente silencioso, em um patamar acima da média dos carros populares e melhor até mesmo que do Volkswagen Polo, um dos concorrentes do Chevrolet. O desempenho do motor 1.4 é satisfatório, não falta potência para ultrapassagens ou ladeiras. Quatro ocupantes viajam com relativo conforto.

Na cidade os comandos leves devem agradar também as mulheres que não se importam em ter um carro de aparência sisuda. Há torque em baixa rotação e a suspensão macia é um alento para aqueles que saíram de Gol ou Mille. O sistema de ar-condicionado tem potência suficiente para o calor nordestino.

Equipamentos

O grande barato do Corsa 1.4 é o pacote de equipamentos que ele oferece, principalmente na versão Premium, que saiu de fábrica com direção hidráulica, ar-condicionado, vidros verdes, vidros dianteiros elétricos, alarme, abertura da tampa do porta-malas pelo controle (sedã), faróis de neblina, rodas de liga leve e outros detalhes interessantes. Air bag e ABS eram opcionais. A versão Maxx foi a de despedida e teve até air bag duplo no último ano de venda, 2012. No mercado de usado as versões tem preços próximos, então é bom priorizar a Premium.

No mercado de usados o maior concorrente do Corsa é o próprio Classic, um carro muito inferior em aspectos como segurança e conforto. O Corsa tem discos de freio ventilados na dianteira, melhor isolamento acústico, suspensão mais aprimorada — com subchassi na dianteira — e macia, maior estabilidade em retas e curvas e mais potência no motor 1.4. No consumo ambos se equivalem, com vantagem para o que oferece mais desempenho. Supera também em espaço interno para ocupantes e bagagem. O porta-malas do hatch comporta 260 litros, enquanto do sedã 432 litros.

Plano de manutenção

O motor é basicamente o mesmo desde 1994 quando chegou ao Brasil. Já serviu a vários carros tanto da Chevrolet quanto da Fiat (1.8) e portanto é reconhecido pela grande oferta de peças e mão-de-obra. Usa correia de comando, que deve ser substituída a cada 50 mil quilômetros, bem antes de outros motores mais modernos. A carroceria é um projeto mais recente, mas nada de outro mundo que possa representar custos elevados. Suspensões são robustas e entre as dores de cabeças estão alguns acabamentos internos que costumam soltar.

Dica

O Corsa nunca foi um carro bem-sucedido no mercado, apesar das pretensões da fábrica e de suas inúmeras qualidades. Por conta disso e de outros fatores apresenta desvalorização e dificuldade de revenda ligeiramente maiores que a média dos outros carros da Chevrolet. Quem aprecia um carro de rodar confortável, desempenho aceitável e robusto ficará satisfeito com o Corsa 1.4, seja hatch ou sedã. A aparência nada interessante torna-se um pormenor.

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