Vale a pena comprar consórcio?

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Você e mais onze amigos decidem fazer grupo com propósito de comprar o último Iphone lançado, e para isso cada um pagará doze parcelas de R$ 300. No primeiro mês haverá um fundo de R$ 3600 (R$ 300 x 12), que será sorteado entre cada um dos amigos, que com o dinheiro poderá ir à Apple e comprar seu smartphone. Nos próximos meses serão feitos outros sorteios, até chegar ao final dos doze meses e todos terem conseguido fazer a compra.

Se uma 13ª pessoa que não participa do grupo for convidada fazer a cobrança das parcelas, cuidar do dinheiro e também realizar os sorteios, ela cobrará uma taxa, que será paga por todos e chamada de taxa de administração. Ela cobrará ainda um fundo reserva, que como o nome sugere é guardado para emergências e será devolvido no final. Com essas mudanças a parcela passará a ser de R$ 340.

Mas a Apple decide aumentar o preço do Iphone para R$ 3700, como ficam os que não compraram ainda? Quem bancará a diferença? Todas as parcelas seguintes são ajustadas, inclusive para aqueles que já compraram seu smartphone, então todos bancarão a diferença. Por contrato essa pessoa que cuida do grupo que deseja comprar o Iphone é obrigada a colocar o dinheiro das parcelas em uma poupança, e o rendimento será revestido para todos.

Esse exemplo serve para simplificar o funcionamento de um grupo de consórcio, que é um pouco mais complexo que isso. Cada pessoa que entra no grupo é chamada cotista porque passa a deter uma cota do fundo comum, que é o saldo para aquisição dos bens. Há grupos com mais de 4000 pessoas, prazo de 84 meses e fundo comum com milhões de reais.



Vantagens do consórcio em relação ao financiamento

  1. A parcela é menor se comparada ao financiamento com mesmo prazo;
  2. Não há cobrança de juros;
  3. A taxa de administração é a mesma para qualquer prazo;
  4. O fundo reserva é parcialmente devolvido no final do grupo;
  5. É possível repassar completamente a “dívida” para outra pessoa;
  6. É possível trocar o bem de referência, para outro mais caro ou mais barato;

Apesar de todas essas qualidades, é importante conhecer um pouco mais do consórcio para não entrar no negócio sem saber exatamente como funciona.

 

Os termos utilizados no consórcio

  • Grupo: é uma reunião de pessoas com propósito de adquirir determinado bem, tem data de criação e prazo de fechamento. Atualmente um mesmo grupo pode ter mais de 5 mil participantes e vários bens de referência de valores distintos;
  • Cota: representa a fração de cada participante (chamado cotista) dentro do grupo. É possível que cada cota tenha um valor diferente.
  • Bem de referência: é o produto cujo valor serve de referência para as variações do valor da cota. Uma cota baseada no Corolla, por exemplo, aumentará de valor toda vez que a Toyota mexer no preço. Como consequência disso, as parcelas também variam;
  • Assembleia: é o evento mensal para a tomada de decisões relativas ao grupo e para os sorteios;
  • Fundo comum: é a reserva do grupo, para onde vão os recursos pagos mensalmente por cada cotista. Por lei deve ser aplicado em fundo de investimento e o rendimento deve compor o próprio fundo, de forma a beneficiar a todos. É do fundo comum que saem os recursos para pagamento das cartas de crédito;
  • Fundo reserva: é um fundo de emergência que a administradora cobra para possíveis imprevistos. Custos judiciais, de cobrança e outros relacionados ao grupo são retirados desse fundo, e o que sobrar é devolvido proporcionalmente aos cotistas;
  • Lance: é o valor que você paga para antecipar a contemplação e a compra do carro. Numa mesma assembleia várias pessoas podem ser contempladas por lance;
  • Taxa de administração: taxa a ser paga à administradora pela gestão do grupo e incide sobre o valor total da cota, sendo que o valor total é dividido por todo o prazo restante do grupo;
  • Carta de crédito: é como se fosse um cheque de pagamento dado ao cotista para aquisição do veículo junto ao vendedor. Como o fundo comum é aplicado em fundos de investimento, o valor da carta aumenta constantemente, em benefício do cotista;
  • Seguro prestamista: da mesma forma que acontece com empréstimos e financiamentos, liquida a dívida caso o titular da cota faleça antes do término do grupo.



Por quê a parcela varia?

Nos casos de consórcios de bancos e administradoras independentes, o valor das parcelas é atualizado constantemente para proteger da inflação o poder de compra de quem ainda não foi sorteado ou deu lance aceito. Um exemplo notório é o do Chevrolet Onix LTZ 1.4, cuja inflação de 22% na tabela FIPE nos últimos 36 meses tornaria impossível congelar a parcela e manter o poder de compra de todos os cotistas. Esse é o motivo de consórcio não ter carnê. Os consórcios de fábrica atrelam o valor ao preço oficial, então a variação é bem menor que aqueles atrelados a tabelas de preços como FIPE e Molicar.

Consórcio vale a pena?

Se você tem pressa para colocar o carro novo na garagem a solução é comprar a vista ou financiado. Se quer economizar o consórcio é uma boa opção, desde que o prazo seja longo o suficiente para diluir a taxa de administração e para que os rendimentos da aplicação financeira atenue a inflação. E como saber?

Ao contrário do financiamento o consórcio oferece taxa de administração igual para veículos novos e usados (até 10 anos da fabricação, dependendo da instituição), e isso é ótimo para quem gosta de comprar semi-novos ou usados para evitar a desvalorização acentuada que ocorre nos primeiros anos. Se você eventualmente recebe boas quantias em dinheiro, saiba que no consócio não há desconto por antecipação de parcelas, o que é óbvio considerando que não há cobrança de juros.

Se a taxa de administração fosse convertida em juros seria algo entre 0,55% e 1% ao mês para um grupo real de 54 meses, colocando na conta as atualizações sofridas ao longo do tempo, o seguro prestamista e também a devolução do fundo reserva. Um financiamento com taxa de 1% ao mês e mesmo prazo custaria bem mais, embora mantivesse a falsa tranquilidade de parcela igual do começo ao fim.

Felizmente a parcela não chega a sofrer o mesmo percentual de aumento do bem de referência porque o rendimento da aplicação amortiza parte da variação, que em determinadas cotas chega a 10% ao ano. Antes de fechar negócio analise a taxa de administração (até 15% é tolerável) e se pretende mesmo ficar até o final do prazo, que é melhor ser superior a partir de 36 meses.

  1. A parcela não é fixa, então é importante saber o indexador do valor da carta de crédito e ter flexibilidade no orçamento para suportar aumentos;
  2. Por ter parcela variável é impossível ter um carnê, sendo necessário esperar os boletos chegarem pelo correio ou ter uma conta-corrente para débito;
  3. Não há desconto por antecipação de parcelas ou liquidação antecipada;
  4. Caso as taxas de juros diminuam fortemente, o consórcio deixa de ser vantajoso;
  • TwinSpark

    Consórcio pode valer a pena, adquiri uma cota de 28 mil em 2011, dei lance de 6 mil no mesmo mês e quitei em 2017 pagando 35 mil ao todo. Recebi 500 de fundo reserva.

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